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Pandemia prejudica tratamento de glaucoma

Além das vítimas da pandemia, há os efeitos "secundários": as doenças que deixaram de ser diagnosticadas ou, ainda, os tratamentos que não foram feitos corretamente por causa do isolamento social.

Sexta, 10 de setembro de 2021


A pandemia do coronavírus já deixou quase 5 milhões de mortos no mundo todo. No Brasil, o número se aproxima da triste marca dos 600 mil mortos. Isso sem contar com as pessoas que foram infectadas pelo vírus e desenvolveram sequelas da doença. Além das vítimas, há os efeitos "secundários" da pandemia: as doenças que deixaram de ser diagnosticadas ou, ainda, os tratamentos que não foram feitos corretamente por causa do isolamento social. As consequências são notadas aos poucos.

Uma delas é em relação ao glaucoma, doença que atinge o nervo óptico dos olhos, também chamada popularmente de "ladrão silencioso da visão". Um levantamento realizado pelo CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), em parceria com a consultoria 360º CI, mostra uma queda de 1,6 milhão de exames para detecção precoce do glaucoma pelo SUS.

De acordo com a análise, em 2019, a produção desses exames na rede pública chegou a 5,9 milhões de procedimentos. Durante a pandemia, no entanto, essa produção em nível nacional foi de 4,3 milhões —mostrando uma queda de 27%. Em oito estados, a redução superou os 50%. Ainda de acordo com a análise, pelo menos 6.500 cirurgias para tratar glaucoma deixaram de ser realizadas ao longo de 2020 —o que representa uma queda de 22% em relação ao ano anterior.

A redução mostra que diversos pacientes não foram diagnosticados e que menos pessoas conseguiram fazer a cirurgia — uma das formas de tratamento da doença, a depender do caso.

Pacientes com glaucoma precisam ser vistos com maior frequência pelos médicos. Em casos leves, esse tempo pode ser de seis em seis meses. Já em quadros graves, essa periodicidade pode chegar a uma vez por mês. O problema é que, sem acompanhamento adequado, o glaucoma pode evoluir sem dar sinais. Durante o tratamento, o médico precisa saber como os pacientes estão respondendo aos colírios — medicamento utilizado para tratar. Sem isso, o problema pode resultar na perda total da visão.

Foi o que aconteceu com Maria Helena Silva Borges, 73. Com glaucoma há 18 anos e uma vista já comprometida, ela decidiu evitar as consultas marcadas presencialmente no Rio, cidade onde mora. Com ajuda das filhas, manteve o contato com a médica pelo WhatsApp ou via ligações. A idosa e as filhas foram "segurando" o máximo que puderam e seguiram o tratamento corretamente, mesmo com relato de muita dor e incômodo de Maria.

"Tínhamos medo de colocar minha mãe em risco em um pronto-socorro por causa da covid. Imagina se ela pegasse? Iria ficar sozinha, sem companhia e sem enxergar direito", conta Marcia Silva Borges, 47, uma das filhas da idosa. Por volta de setembro de 2020, Maria, que já tinha a doença avançada, sentiu um mal-estar durante a noite e acordou sem enxergar mais nada. Só depois que a médica voltou a atender presencialmente neste ano é que ela passou por uma consulta que constatou a perda da visão nos dois olhos.

Para o glaucoma não há cura, pois é uma doença crônica que é apenas controlada com algumas técnicas. São elas: colírios, laser ou cirurgias para casos mais avançados. Uma vez que a visão é perdida, não é possível recuperá-la.

Não descuide de seus olhos. Consulte o oftalmologista regularmente.

Fonte: VivaBem UOL


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